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14
Aug

Como IoT está sendo usada pela agricultura australiana em 2019

O desenvolvimento da IoT para a agricultura continua nas etapas iniciais, mas parece promissor conforme mais fazendeiros estão adotando essas tecnologias para o trabalho.

A agricultura australiana tem sido definida historicamente por longas secas e chuvas irregulares. Para fazendeiros, essas condições árduas deixam pequena margem para erros, que significa que o trabalho exaustivo no campo não se traduz necessariamente em estoques saudáveis ou lavouras fortes.
Uma maneira que os agricultores têm adaptado para essas condições é o uso de dispositivos e sensores de Internet das Coisas (IoT). Mas em comparação com outros setores, fazendeiros têm sido lentos na adoção dessas tecnologias devido a preocupações a respeito do custo de implementação e do andamento dos serviços – particularmente quando não há valor imediato recebido para certas tecnologias de IoT, que podem levar vários anos acumulando dados antes de apresentar seu valor.
No entanto, o principal pesquisador sênior da Data61, Raja Jurdak, diz que os fazendeiros estão aumentando seu apetite por dispositivos de IoT à medida que o valor por trás dessas tecnologias se torna mais claro.
Por exemplo, com o uso de tecnologia IoT como a Vertebrate Pest Detect-and-Deter (VPDaD), da Data61, eles têm conseguido reduzir a quantidade de pestes comendo suas lavouras. Pestes causam prejuízo de AU$1 bilhão por ano aos agricultores australianos, de acordo com a CSIRO.
A VPDaD consiste em duas tecnologias principais: dispositivos de detecção de movimento com luzes e sons dissuasivos, e dispositivos com câmeras termais e coloridas, chamados Sentinelas, usados para identificar diferentes tipos de animais.
A sentinela captura imagens dos animais. Processa a informação em tempo real e envia a informação para os dispositivos VPDaD para então definir quando a aproximação de um animal é uma peste, e então usa a ferramenta adequada de dissuasão se necessário.
A tecnologia agrícola IoT também se tornou muito mais barata que antigamente. O pesquisador de dados da Data61 Brano Kusy explicou como a tecnologia que monitora o movimento de um gado individual pode ser comprada por cerca de AU$50,00 a unidade em 2019. Com o custo de criação de corte tendo tipicamente quatro dígitos, o custo da “agtech” começa a atingir os limiares econômicos em que é possível que cada animal tenha um sensor, disse Kusy.
De acordo com um relatório AgThentic intitulado Emerging technologies in agriculture, é previsto que instalações de dispositivos IoT na agricultura vão aumentar de 30 milhões em 2015 para 75 milhões em 2022 ao redor do mundo, o que seria uma média de crescimento anual de 20%.

 

Usando IoT para ajudar fazendeiros além do campo

 

O fazendeiro moderno tem que fazer mais do que cultivar lavouras e gado saudáveis, que são apenas um de muitos elementos necessários para uma agricultura de sucesso. Outras considerações, como demonstrar a qualidade do produto agrícola também são importantes para permitir aos fazendeiros tocar uma operação eficiente e estável.
Por lidar com todas essas responsabilidades ao mesmo tempo, uma tendência crescente na agricultura australiana tem sido o desenvolvimento de sensores IoT em áreas remotas, permitindo que os agricultores façam tarefas como monitoramento de rebanhos mais eficientemente, bem como dedicar mais tempo aumentando a qualidade e bem-estar de seu gado.
Viver na era das mídias sociais, onde os consumidores se importam mais a respeito de onde vem sua comida, fazendeiros precisam mais do que nunca demonstrar que seus produtos são feitos de maneira ética e têm alta qualidade.
Para enfrentar esses problemas entorno da qualidade dos produtos agrícolas, tecnologias IoT como etiquetas inteligentes para as vacas têm sido desenvolvidas, disse Jurdak. A CSIRO e a startup de agtech Ceres Tag desenvolveram uma etiqueta de orelha inteligente no ano passado, que ajuda os fazendeiros a rastrear a localização do rebanho – como onde pasta e se se algum gado escapou ou foi roubado. As etiquetas também são equipadas com acelerômetros, e podem notificar a detecção de uma atividade incomum.
Pela coleta de informações do gado em tempo real, IoT pode fazer a finalização do processo agropecuário – como demonstrando a qualidade do produto agrícola – muito mais fácil devido a natureza rastreável desse tipo de informação.
Enquanto a função primária desse tipo de tecnologia é monitorar a saúde do gado, também há muitos outros casos além dos pastos. Por exemplo, a localização geográfica fornece informação sobre toda a vida útil do gado, que pode ser traçada via blockchain. O fato de residir numa blockchain dificulta que os dados sejam alterados – ou falsificados – devido a serem armazenados em ledger. O que isso significa, diz Jurdak, é que consumidores e varejistas podem confiar que os agricultores e pecuaristas estão sendo transparentes quando compartilham informações sobre seus produtos.
“Dá-se muito valor especificamente ao conhecimento da procedência dos itens, algumas pessoas chamam isso de farm-to-fork ou farm-to-table, e mais e mais pessoas querem ter a habilidade de saber de onde vem sua comida,” disse Jurdak.
Particularmente no contexto australiano, em que seus produtos agrícolas possuem forte reconhecimento de marcas na região Ásia-Pacífico, a integração das informações coletadas na prática da compra também contraria a falsificação de produtos australianos, o que custa cerca de US$2bi ao ano em perda de lucros para o setor, de acordo com o relatório da AgThentic.
Consumidores poderão verificar cada vez mais que o que eles estão comprando é um produto genuíno, então os benefícios de tais tecnologias se tornam aparentes devido a sua habilidade de demonstrar que esses produtos são top de linha e estão sendo entregues sob condições ideais.

 

O que o futuro da agri-tech reserva?

 

Apesar do crescimento da adoção de dispositivos IoT, Jurdak diz que ainda há trabalho para ser feito, especialmente na área de desenvolvimento sensores energicamente eficientes e autossuficientes.
No momento, a maiores dos dispositivos de IoT necessita de baterias, mas há mais e mais projetos – bem como o CSIRO-developed product eGrazor, que mede a ingestão de pasto pelo gado – e que usa painéis solares para recarregar sua energia e funcionar por mais tempo.
“Esperamos ter sensores sem bateria que retirem energia apenas do ambiente para prover dados úteis – essa neutralidade energética dos dispositivos é uma meta chave para nós,” disse Jurdak.
Possivelmente a coisa mais preocupante para o setor agropecuário seja as emissões de gases do efeito estufa por parte do gado, um dos maiores contribuintes do aquecimento global. Em um estudo recente amplamente divulgado, Poore e Nemecek (2018) relataram que o consumo de carne e produtos lácteos geram um impacto desproporcional no meio ambiente comparado ao seu valor atual.
“Carne, aquicultura, ovos e laticíneos usam ~83% das terras cultiváveis do mundo e contribuem entre 56 e 58% para as diferentes emissões de alimentos, a despeito de contribuir apenas com 37% de nossas proteínas e 18% de nossas calorias,” disse o estudo.
Como o padrão de vida continua a evoluir ao redor do mundo, há também a tendência das pessoas de consumir mais carne, especialmente em países em desenvolvimento. Espera-se que a taxa de consumo de carne cresça rapidamente nos próximos 5 a 10 anos, de acordo com Kusy, que trará graves implicações na quantidade de emissões de efeito estufa.
Diante dessa realidade ambiental, os fazendeiros terão que colocar mais esforços no monitoramento das emissões de efeito estufa, especialmente metano, gerado pelo gado ou lavouras. A esperança é que os sensores de IoT, diz Kusy, possam rastrear dados de dispositivos como as etiquetas de identificação inteligentes, bem como outros sensores no campo que coletem informações sobre a quantidade de metano gerada. Fazendeiros, bem como especialistas em agtech, serão então capazes de construir modelos que demonstrem que combinações específicas de genomas de gado e rações emitem maior quantidade de metano na atmosfera, disse ele.
Com o uso de agtech se tornando mais predominante nas fazendas, Jurdak recomenda que os proprietários de terras estejam abertos ao engajamento com especialistas nessas tecnologias para entender melhor suas capacidades e os benefícios de adotá-las.
“Em nossa experiência, esses tipos de discussão [entre fazendeiros e especialistas em agtech] realmente identificam as maiores oportunidades para o uso de tecnologia na agricultura.”

 

Sobre o artigo

Este artigo é uma tradução livre do original How IoT is being used for Australian agriculture in 2019.
Autor: Campbell Kwan. 28 Fevereiro 2019.
Photo by Roman Synkevych on Unsplash

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