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17
Oct

Inteligência artificial pode beneficiar a economia global em 14 trilhões de dólares – se puder superar certos obstáculos

O crescimento global está estagnado. As guerras comerciais estão estrangulando as fabricantes, de Shanghai a Stuttgart e Seattle. Mas por pior que pareçam as perspectivas econômicas atuais, a Indústria 4.0 está viva e indo bem, segundo seus defensores mais fervorosos.
Indústria 4.0 é o termo geral para a implementação de big data, robótica e sistemas de inteligência artificial, por parte de empresas. Espera-se que ela conduza o crescimento global além da próxima década ou até mais. Sim, até mesmo no setor industrial.
Até 2035, esse empurrão pela IA fornecerá um incremento de 14 trilhões para a economia global, prevê a gigante de consultoria Accenture.
Essa é a avaliação de Marc Carrel-Billar, diretor executivo global na Accenture Labs, que exibiu esses números em sua apresentação no World Summit A.I. em Amsterdã na quarta-feira. Como exemplo, ele citou um estudo que traçou o progresso em uma área crescente de automação alimentada por IA: call centers. Cinco anos atrás, sistemas de IA só podiam resolver uma a cada dez chamadas de clientes. Hoje, ele disse, são 60%.
Além disso, ele adiantou, esse impulso para a automação não será o assassino de empregos que os economistas mais pessimistas preveem. Mas antes que os tecnólogos deem sua corrida da vitória, há uma ressalva.
Eles não são uma ameaça aos empregos, diz ele, “porque esses sistemas não são muito inteligentes.” A IA e suas várias iterações: machine learning, natural language processing, machine vision, reconhecimento de voz e imagem, está bem adaptada a tarefas altamente especializadas. Ela faz um trabalho razoável prevendo como será o tempo amanhã, ajudando a comprar tickets de cinema ou a encontrar a rota mais rápida na volta pra casa à noite. Empresas de todos os tipos estão crescentemente usando IA em nível corporativo para dar sentido a vastos fluxos de dados estruturados e desestruturados que eles coletam, procurando eliminar falhas e diminuir custos.
Mas, como nota Carrel-Billiard, a IA ainda tem um ponto cego. Ela é treinada para interpretar certos conjuntos de dados, não para dar significado ou contextualizar a partir de um mundo complicado. A IA é um especialista, não um generalista, diz ele. E além do mais, é necessário muito trabalho para fazer esses sistemas verdadeiramente inteligentes.
Gary Marcus, professor de psicologia e ciência neural na New York University e autor de Rebooting AI, é até mais franco em sua análise. Ele chama deep learning – subconjunto da IA que pode criar sentido para grandes volumes de dados com pouco ou nenhuma supervisão humana – de um nome inapropriado. É bom para tarefas estreitamente focadas, mas ele questiona seu potencial para por exemplo, revolucionar o transporte (carros autônomos) e medicina (análise de vastos volumes de imagens de ressonância magnética para detectar o crescimento de células cancerígenas). “Deep learning não substitui uma interpretação profunda,” diz ele.
“O número de radiologistas que têm sido substituídos por sistemas de deep learning?” ele pergunta. “Zero.”
Carrel-Billiard acredita que para que esses sistemas sejam verdadeiramente efetivos eles precisam ser projetados para serem responsáveis, transparentes e livres de preconceitos – não apenas coelhos de tarefas rápidas. Só aí esses sistemas atingirão seu verdadeiro potencial.
No primeiro dia do World Summit A.I., a maior parte da discussão inicial foi sobre a necessidade de construir a chamada ética dos sistemas de IA. Marcus e Carrel-Billiard entre outros, desafiaram a comunidade de desenvolvimento a construir sistemas de IA responsáveis, transparentes e livres de preconceito.
“A menos que seja responsável,” disse Carrel-Billiard, “ninguém vai confiar, e ninguém vai usá-lo.”

 

Sobre o artigo

Este artigo é uma tradução livre do original Artificial Intelligence Could Be a $14 Trillion Boon to the Global Economy—If It Can Overcome These Obstacles. Autor: Bernhard Warner
Photo by SpaceX on Unsplash

Photo by Markus Spiske on Unsplash

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