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29
Apr

Porque instituições de ensino superior precisam de tecnologias de nuvem mais inteligentes

A ausência do mercado da educação superior

A economia de hoje produz um enorme volume de informação digital, e essa informação estimula o comportamento do mercado. Antes da internet, as informações de mercado tinham de ser coletadas de arquivos e outras fontes estáticas. Hoje, dados em tempo real são capturadas a cada segundo de todos os tipos de transações e comunicações entre consumidores, produtores, relatores e investidores. Há fontes de dados em todo lugar, todo o tempo, muitas delas disponíveis abertamente.
Instituições públicas de ensino superior, por contraste, competem umas com as outras e com as privadas, instituições com e sem fins lucrativos, em um mercado limitado onde há escassas informações para os estudantes usarem na tomada de decisões sobre investimentos em sua educação. Os resultados do mercado de trabalho (produtos) na maioria dos diplomas de instituições públicas de dois e quatro anos são difíceis de serem determinados, pois os dados de educação e trabalho não são monitorados ou acompanhados.
A educação superior simplesmente não pode prover um tipo de informação de entrada e saída que oriente escolhas de mercado. Ao invés disso, prevalecem rankings imperfeitos, materiais de marketing e boca a boca.
Se existisse um mercado verdadeiramente eficiente para educação superior, onde informação próxima da perfeição fosse disponibilizada aos alunos sobre os verdadeiros custos de eventuais resultados dos empregos, é provável que certo número de estudantes atuais não tentaria diplomas de dois ou quatro anos, enquanto outros teriam a possibilidade de tomar decisões mais informadas em suas escolhas. Como resultado, menos estudantes largariam a faculdade com grandes dívidas e sem nenhuma ideia de como aplicar o que eles aprenderam.
Ao invés disso, enquanto mais pessoas jovens frequentam a faculdade do que antigamente, eles também abandonam em escala maior. A taxas médias de abandono em cursos de dois e quarto anos em instituições de ensino superior é de cerca de 50%, indicando que os métodos prevalecentes de aquisição de qualificações educacionais não estão funcionando para a maior parte da população. Também significa que as qualificações não são valorizadas o suficiente fora da academia para incentivar a conclusão. Muitos dos empregadores com visão de futuro não exigem mais graduação como pré-requisito em funções de entrada.
Embora muitos alunos estejam optando por não entrar ou por abandonar o ensino superior, isso não significa que eles não estejam interessados em aprender, ter qualificações ou o conhecimento que a educação formal proporciona. Ao invés disso, provavelmente significa que não há informação confiável sobre o valor da educação superior para justificar o investimento total em um diploma, o que para muitos estudantes exige empréstimos caros e de longo prazo.
Encargos de dívida, falta de relevância direta no mercado de trabalho, e a sensação de isolamento social são as razões primárias para os abandonos da educação superior. Em resposta, as instituições se esforçam gastando cada vez mais dinheiro em novos softwares de retenção e sucesso dos alunos, soluções de gerenciamento de relação com cliente (CRM), incrementando as instalações técnicas e sociais do campus, e mantendo pessoal caro para monitorar dados de performance dos estudantes. Esses investimentos no campus podem complicar mais a situação, aumentando os custos, que são repassados aos alunos.
Para instituições de ensino superior produzirem o tipo de informação que possibilita melhores tomadas de decisão pelos estudantes e instituições semelhantes, uma nova tecnologia e estratégia de dados é requerida, que se assemelha ao que existe em outras indústrias, como serviços financeiros e saúde.

Uma nuvem mais inteligente para a educação superior?

Uma vez que a economia atual usa informação digital e essa informação influencia os comportamentos do mercado, faz recomendações para consumidores e proporciona aos fornecedores demandas atuais de dados, por que alguma dessas tecnologias e o gerenciamento de dados não podem entrar no espaço da educação superior e proporcionar “consistência tecnológica” entre aprendizagem e trabalho?
As capacidades modernas da internet incluem inteligência artificial, aprendizagem das máquinas, processamento de linguagem natural, aplicativos inteligentes, perfis de usuários finais e dados de uso. Não poderia isso ser aproveitado para um mercado de educação verdadeiramente competitivo, que beneficiaria o estudante, ajudaria mais instituições a focar em seus programas e remover muito da ineficiência institucional?
Esse tipo de tecnologia – dados e integração vertical entre fornecedores e consumidores – tem sido chamado de exoestrutura. Significa que o processamento de dados entre funções está integrado na nuvem, não em soluções de software individuais integradas separadamente.
É o poder por trás das múltiplas compras na Amazon, gestão de sua hipoteca, investimentos e conta corrente no Chase, coordenação de planos, quartos e aluguel de carros para viajar na Expedia.
Enquanto campuses estão usando serviços em nuvem para hospedar remotamente suas tecnologias singulares e soluções de dados, isso apenas troca a localização do servidor, e requer softwares de terceiros para extrair informações de cada solução separada. Não revela detalhes e dados sobre opções de educação superior para consumidores agregados e analisados em tempo real.
Nos EUA e Canadá há cerca de 5.000 instituições de ensino superior. Cada uma compra um nicho caro de software educacional e soluções de dados para ajudar a operar sua instituição e gerenciar alunos, professores e recursos. Esse provisionamento faz parte da infraestrutura de cada instituição, singular para cada campus.
Sub organizações institucionais na educação superior estão sob a liderança presidencial da instituição e do reitor. O que quer dizer que cada unidade – aquisição de alunos, inscrição, aconselhamento acadêmico, ensino e aprendizagem, aconselhamento de carreira e gestão alumni – é organizada verticalmente. Como resultado, eles não compartilham informação horizontalmente com facilidade para outras unidades ou para estudantes.
Mais além, os alunos precisam logar em múltiplos sites e visitar muitas secretarias sem acesso uniformemente orientado para estudantes para sua experiência educacional. Da mesma forma, não há exames ou soluções para os estudantes gerenciarem todo seu aprendizado, treinamento ou experiências por múltiplas instituições, provedores de treinamento e experiências de trabalho. O que quer dizer que as instituições têm pouco conhecimento sobre a totalidade das atividades de seus alunos.
Quando empregadores, agências do governo e think tanks reclamam sobre custos crescentes da educação superior, taxas de abandono crescentes e pouco alinhamento com os empregadores, muito disso pode ser atribuído às ineficiências dos silos de infraestrutura tecnológica nos campuses e falta de estratégias coerentes para interagir direta e completamente com estudantes munidos de informações e dados mais aprofundados sobre seus futuros.

A infraestrutura precisa evoluir

Para fazer um mercado eficiente na educação superior emergir, a tecnologia baseada no coração da educação superior deve se transformar através de operações em nuvem mais inteligentes, ou “exoestruturas” que operam como os outros setores da economia.
Instituições não devem mudar para exoestruturas logo, mas serviços externos podem prover essas estruturas de maneiras que fornecerão melhores dados para os alunos sobre os resultados das escolhas educacionais no mercado de trabalho, e os alunos poderão fornecer, por sua vez, melhor resposta a elas sobre o que compensa ou não.
Abaixo há descrições fornecidas por duas consultorias muito respeitadas sobre os fatores de custo, ineficiências e confusões das “infraestruturas” de campus não integradas versus os benefícios de uma estratégia de exoestrutura para educação superior.
Infraestrutura:Estima-se que faculdades e universidades gastarão entre US$20Bi e US$25Bi esse ano em tecnologia e serviços, permitindo que as instituições apoiem o corpo docente e a administração, além de comercializar, recrutar, inscrever, instruir, envolver e preparar estudantes e ex-alunos. As soluções abrangem muitas categorias, incluindo especialistas em gerenciamento de registro, plataformas de aprendizagem adaptáveis, soluções de retenção, gerentes e programas on-line, redes de engajamento social, aplicativos e crowdsourcing, redes definidas por software, plataformas de big data e planejamento de recursos empresariais (ERP). O mercado é vasto, confuso e mal definido.
http://www.eduventures.com/2014/09/higher-education-landscape
Exoestrutura: “Estratégia de exoestrutura significa adquirir a capacidade crítica da interoperabilidade como uma estratégia deliberada para integrar os números crescentes de parcerias, ferramentas e serviços no ecossistema da educação. Quando feita corretamente, uma abordagem de exoestrutura proporciona às instituições alavancarem serviços de nuvem, enquanto os coloca dentro dos muros do campus. O futuro pertence à exoestrutura, não à infraestrutura.”
http://www.gartner.com/newsroom/id/3225717

Conclusão

Os custos de manter o estado atual da infraestrutura versus a oportunidade colocada pelas soluções de exoestrutura são uma conversa que deve ser conduzida por líderes do ensino superior – presidentes e curadores. E é provável que uma nova associação ou instituto dedicado seja necessário para gerir a delicada dança entre criar instituições modernas focadas no cliente usando as modernas aplicações de internet, enquanto negocia com os problemas complicados de custos de pessoal, dependência de empréstimos por parte dos estudantes e manutenção da qualidade acadêmica e gestão acadêmica. Estamos num ponto em que esse problema merece um novo tipo de atenção por parte dos líderes dentro e fora do ensino superior.
Gordon Freedman é presidente do National Laboratory for Education Transformation (www.NLET.org), uma organização sem fins lucrativos com sede na Califórnia, 501(c)(3), comprometida em transformar a educação do século XX em aprendizado no século XXI.

Sobre o artigo

Este artigo é uma tradução livre do original Why Higher Education Institutions Need Smarter Cloud Technologies.
Photo by Patrick Robert Doyle on Unsplash

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